***Cognando***

Visit Blog Website

75 posts · 36,309 views

Saiba o que está rolando nos principais centros de pesquisa em Psicologia Cognitiva e Lingüística. (Recent empirical findings in Cognitive Psychology and Linguistics)

Andre Souza
75 posts

Sort by: Latest Post, Most Popular

View by: Condensed, Full

  • May 2, 2013
  • 03:25 AM
  • 266 views

Quem ganha o brasileirão esse ano?

by Andre Souza in ***Cognando***

Eu sou de Belo Horizonte! E pelas bandas de lá, a “briga” entre atleticanos e cruzeirenses é acirrada. O que eu acho mais fascinante nessa disputa são as estatísticas que os torcedores usam para tirar onda com a cara um do outro. Principalmente em dia de clássico. Você escuta coisas do tipo “em toda a [...]... Read more »

Giguère G, & Love BC. (2013) Limits in decision making arise from limits in memory retrieval. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. PMID: 23610402  

  • April 30, 2013
  • 05:11 AM
  • 237 views

Por que acreditamos (ou não) em Deus?

by Andre Souza in ***Cognando***

Alguns dias atrás, a revista Prospect da Inglaterra publicou o resultado de uma pesquisa que elegeu os maiores pensadores do mundo. No topo da lista está o biólogo e professor da Universidade de Oxford, Richard Dawkins. Dawkins é popularmente conhecido pela sua posição contrária e extremista com relação ao teísmo e/ou crenças em seres sobrenaturais. Existe [...]... Read more »

Gervais WM, & Norenzayan A. (2012) Analytic thinking promotes religious disbelief. Science (New York, N.Y.), 336(6080), 493-6. PMID: 22539725  

  • September 25, 2012
  • 01:09 PM
  • 287 views

Celular ao volante: Viva-voz pode?

by Andre Souza in ***Cognando***

Conversar no celular e dirigir ao mesmo tempo não pode. Certo? Depende. Morei muitos anos no estado do Texas nos Estados Unidos e, pelas bandas do Rick Perry, a coisa é no mínimo esquisita. Conversar no celular enquanto dirige pode. Só não pode se: (1) você estiver dirigindo próximo a alguma região escolar em horário de [...]... Read more »

David L. Strayer, & Frank A. Drews. (2007) Cell-Phone–Induced Driver Distraction. CURRENT DIRECTIONS IN PSYCHOLOGICAL SCIENCE, 16(3), 128-131. DOI: 10.1111/j.1467-8721.2007.00489.x  

  • September 23, 2012
  • 02:12 PM
  • 344 views

O Totó só ajuda se for do interesse dele!

by Andre Souza in ***Cognando***

A cachorrinha da minha mãe está muito rebelde. Segundo a minha mãe, de uns dias pra cá, deu pra fazer xixi onde não deve. Minha mãe disse que já conversou várias vezes com ela, mas não adianta. “Ela está com ciúmes da Gabriela“, disse minha mãe. Gabriela é a gatinha nova da casa. As duas [...]... Read more »

Juliane Kaminski, Martina Neumann, Juliane Bräuer, Josep Call, & Michael Tomasello. (2011) Dogs, Canis familiaris, communicate with humans to request but not to inform. Animal Behavior, 651-658. info:/

  • September 22, 2012
  • 09:24 PM
  • 389 views

Quanto mais difícil de ler, melhor!

by Andre Souza in ***Cognando***

Já tem bastante tempo que leciono estatística e análise quantitativa de dados. Lembro uma vez que estava falando com meus alunos sobre processos estocásticos, Cadeia de Markov (MCMC), etc. e, depois de alguns minutos de explicação e exemplos no quadro, perguntei a eles quem tinha alguma pergunta e/ou comentário. Uma aluna levanta a mão e [...]... Read more »

  • July 8, 2012
  • 11:46 PM
  • 323 views

Vous voulez parier?

by Andre Souza in ***Cognando***

Tem muita gente nesse mundo que sabe falar uma língua estrangeira. E apesar da grande variação no nível de proficiência das pessoas, a verdade é que muita gente consegue “se virar” sem problemas em uma outra língua que não a língua materna. Seja em portunhol, em inglês tabajara ou o francês macarrônico, muitas vezes o [...]... Read more »

  • April 11, 2012
  • 09:51 PM
  • 285 views

A verdade está no olho de quem vê! *

by Andre Souza in ***Cognando***

*texto de Julia Figueira Salvador “Noventa por cento dos adolescentes brasileiros chegam ao Ensino Médio”. Você acredita nisso? O fato é que, mesmo conhecendo o Brasil e sabendo das suas dificuldades em manter os jovens na escola, estamos vivendo um tempo em que o acesso à escola está (ainda que longe de perfeito) cada vez [...]... Read more »

Hilbig, B. (2012) Good Things Don’t Come Easy (to Mind). Experimental Psychology (formerly Zeitschrift für Experimentelle Psychologie), 59(1), 38-46. DOI: 10.1027/1618-3169/a000124  

  • March 25, 2012
  • 06:40 PM
  • 338 views

O peso da primeira vez: Esperar um pouco pode ser um bom negócio.

by Andre Souza in ***Cognando***

Ser adolescente tem suas vantagens! Uma delas é o início da vida sexual. Para um adolescente, não tem nada melhor do que fazer sexo! E é tão bom que uma das coisas que observamos atualmente é que os adolescentes começam cada vez mais cedo a ter uma vida sexual ativa. Antigamente, ser virgem com 19 [...]... Read more »

K. Paige Harden. (2012) True Love Waits? A Sibling Comparison Study of Age at First Sexual Intercourse and Romantic Relationship in Young Adulthood. Psychological Science. info:/

  • March 22, 2012
  • 10:00 PM
  • 479 views

O “Efeito QWERTY” na versão da Psicologia Cognitiva.

by Andre Souza in ***Cognando***

Ontem eu estava conversando com uma amiga via bate-papo do Gmail quando ela me fez a seguinte pergunta: “André, você ainda escreve, assim, com lápis/caneta e papel?” Fiz cara de what??, mas logo entendi o que ela quis dizer. Na verdade, quase não escrevo mais. A maior parte da minha produção lingüística é, sem dúvidas, [...]... Read more »

  • March 19, 2012
  • 05:50 PM
  • 535 views

Se você é forever alone, o Facebook não vai te ajudar.

by Andre Souza in ***Cognando***

Estima-se hoje que mais de 840 milhões de pessoas no mundo tenham uma conta ativa na rede social Facebook. Desse tanto de gente, mais de 50% posta pelo menos um status update por dia. Sem dúvidas, o Facebook é o site #1 em procrastinação (se bem que YouTube e 9GAG são competidores à altura). Muita gente [...]... Read more »

  • January 29, 2012
  • 11:17 PM
  • 413 views

Pode retirar o filhote eqüino da perturbação pluviométrica: Escrever difícil não funciona!

by Andre Souza in ***Cognando***

Todo semestre, eu leciono a disciplina obrigatória Estatística e Métodos Experimental para os alunos de graduação em Psicologia na Universidade do Texas. Como sempre, essa é a disciplina mais odiada pelos alunos: eles precisam não só aprender estatística, como precisam também aprender a escrever sobre os resultados dos experimentos que eles fazem. Apesar de todo mundo [...]... Read more »

  • January 21, 2012
  • 09:05 PM
  • 430 views

Promoção: De R$ 250,00 por apenas R$ 99,90

by Andre Souza in ***Cognando***

Profissionais de marketing lidam o tempo todo com o comportamento e a cognição humana. Uma campanha publicitária de cerveja, por exemplo, tem como objetivo influenciar o sua decisão na hora de comprar uma cerveja. Ou seja, é uma tentativa direta de manipular sua cognição e o comportamento subsequente a ela. E todo mundo deve concordar [...]... Read more »

  • January 14, 2012
  • 07:27 PM
  • 445 views

Você acha que é bonito ser feio?

by Andre Souza in ***Cognando***

Em 2011, a Universidade do Texas ficou no Top 20 no ranking das universidades americanas com as estudantes mais bonitas dos Estados Unidos. Um amigo meu logo me enviou um email dizendo: “ganhou na loto aí, hein negão!“. Infelizmente não! Quando o assunto é beleza, namoro e escolha de parceiros, o buraco cognitivo é mais [...]... Read more »

  • December 26, 2011
  • 03:45 AM
  • 500 views

Tá com raiva? Não decida!

by Andre Souza in ***Cognando***



Tenho uma amiga que cursa Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Semana passada, conversando com ela sobre disciplinas optativas (aquelas que não fazem parte da grade curricular do curso de Letras), sugeri a ela que fizesse alguma disciplina no curso de Psicologia da UFMG. Para ser mais exato, sugeri a ela que cursasse a disciplina de Introdução à Estatística -- disciplina historicamente oferecida no departamento de Psicologia. Como procedimento lógico, decidimos verificar o quadro de oferta de disciplinas no curso de Psicologia para o próximo semestre letivo. Foi então que começamos a "passar raiva": entramos na página do curso de Psicologia com a esperança de encontrar um link para o tal quadro. Nada. A página do departamento, além de ser visualmente horrível e de difícil navegação -- pouco intuitiva -- está extremamente desatualizada. Para se ter uma idéia, depois de muito procurar, encontramos uma ementa da disciplina de estatística ofertada em 1984. Isso mesmo: uma ementa de 27 anos atrás (e se eu não estou enganado, essa é a mais atual).



Minha amiga logo desistiu. Eu não. Decidi ligar para o departamento. Obviamente, passei mais raiva: a pessoa que atendeu o telefone (não me lembro o nome do rapaz) parecia nem saber o que é matrícula, disciplina, etc:



rapaz: essas coisa assim de matrícula, aula, etc não é aqui não. Liga no colegiado.

eu: Ah, ok! Você pode me informar o telefone de lá?

[Antes que eu terminasse de falar a palavra "telefone", ele já tinha desligado o dele]



Encontrei o telefone do colegiado. Liguei e fui atendido pela Magna. Corrigindo: liguei e fui mal-atendido pela Magna. Com um "bom-humor" invejável, Magna disse que não era possível saber oferta de disciplinas se eu não fosse aluno do curso de Psicologia. Disse que se eu quisesse, que eu fosse lá no colegiado e solicitasse uma cópia da lista de disciplinas. Super século XV:



Magna: Pode ser que você consiga assim.

[Antes que eu explicasse que essa opção não seria muito viável para pessoas que não moram no Brasil -- ou em Belo Horizonte -- Magna desligou o telefone]



Enfim, foram mais de 40 minutos e nada (até hoje não sei a oferta de disciplinas para o curso de Psicologia). Evidentemente fiquei com muita raiva! E agir com raiva não é bom. Acabei gastando de 20 a 30 minutos do meu tempo tweetando sobre o incidente e divulgando mensagens de "raiva" no meu perfil do Google+.



Tomar decisões quando se está com raiva não é bom. Existe bastante pesquisa em Psicologia Cognitiva mostrando que nossas emoções afetam diretamente (e muitas vezes de maneira implícita) as nossas decisões e nossas ações. No entanto, muitas dessas "emoções" vêm e vão muito rapidamente. Sem contar casos altamente traumáticos, muitos de nós ficamos com raiva de algo por um período curto de tempo. Depois de algumas horas ou mesmo minutos, já não sentimos mais nada. Mas será que nossas emoções (raiva, alegria, tristeza, etc.) são capazes de influenciar nossas decisões, mesmo depois que elas se dissipam? Em outras palavras, mesmo depois que a raiva passa, será que o que decidimos quando estávamos com raiva tem alguma influência nas nossas decisões futuras? E quais as consequências disso?



Essas perguntas foram investigadas pelos professores Eduardo Andrade, do departamento de Marketing da Haas School of Business na Universidade da Califórnia em Berkeley e Dan Ariely da Universidade de Harvard. Eles pediram a um grupo de alunos que participassem de uma série de Ultimatum Games. Esse jogo é uma espécie de "experimento" de economia e envolve a divisão de uma quantia em dinheiro. No jogo, há dois participantes: um que propõe uma divisão da quantia e um que aceita (ou não) a divisão. Se a divisão é aceita, cada participante leva a quantia proposta. Se a divisão não é aceita, ninguém leva nada. Exemplo: imagine que eu esteja jogando o Ultimatum Game com o Dan Ariely. Como proponente, a minha função é dividir R$10 entre eu e ele. Eu posso propor qualquer divisão que eu quiser (e.g. R$6 para mim e R$4 para o Dan, ou R$9 para mim e R$1 para o Dan). Assim que eu faço a proposta, o Dan tem a oportunidade de aceitar ou não. Se ele aceita, cada um recebe a quantia que eu propus. Se ele nega, eu não ganho nada e ele também não. Geralmente, as pessoas tendem a ser justas (R$5 para cada).



No estudo de Eduardo e Dan, eles encontraram que pessoas com raiva tendem a negar propostas injustas (e.g. R$7,50 para o proponente) com mais frequência do que as pessoas sem raiva ou felizes. Em outras palavras, se você está com raiva e alguém te oferece apenas R$2,50 no Ultimatum Game, você tende a negar a oferta, de maneira que ninguém ganha nada. Mas será que mesmo depois que a raiva passa, essa sua decisão de negar a proposta influencia decisões futuras? No mesmo estudo, depois que a raiva passou, os participantes jogaram o Ultimatum Game novamente, mas dessa vez como proponentes, ou seja, dessa vez eles que propuseram a divisão. O resultado foi que a oferta dos participantes que estavam com raiva antes foi mais "justa"(e.g., R$5 para cada um) do que a oferta dos participantes que estavam felizes antes.



Mas porque isso aconteceu? E o que isso tem a ver com nossas decisões quando estamos com raiva? Nós seres humanos temos uma tendência a agir e tomar decisões que sejam consistentes com nossas com nossas ações e decisões anteriores. Por exemplo, se em uma segunda-feira alguém te convence a usar uma blusa azul -- mesmo que você não goste muito de azul -- a possibilidade de que você seja convencido, na sexta-feira, a usar uma calça azul é muito maior. Isso ocorre pois, implicitamente, você está tentando ter um comportamento consistente. Em outras palavras, quando estamos com raiva e tomamos uma decisão, para manter um comportamento consistente, nossas decisões futuras serão influenciadas pela decisão que tomamos quando estávamos com raiva. No exemplo do experimento, as pessoas que estavam com raiva e negaram a oferta injusta -- mostrando que apreciam uma oferta "justa"-- quando tiveram a chance de propor a divisão, propuseram uma divisão justa, pois essa decisão é consistente com a decisão anterior (quando eles estavam com raiva). Já as pessoas felizes que aceitaram mais propostas injustas no primeiro jogo, também mantiveram a consistência e propuseram divisões mais injustas no segundo jogo.



Basicamente o estudo sugere que nossas emoções influenciam nossas decisões mesmo depois que elas, as emoções, não estão mais presentes. Por isso, é importante evitar tomar decisões quando estamos com muita raiva, ou muito felizes, ou muito tristes, etc, pois, mesmo depois que essas emoções passam, a nossa tendência em ser consistente nos forçará a agir de maneira particular. Pensar bem antes de tomar qualquer decisão é sempre bom.



O Cognando está com algumas novidades para  2012. Para ficar por dentro dessas novidades, fiquem ligados no Cognando pelo Twitter, pelo Facebook e/ou pelo Google+.



O Cognando deseja um 2012 feliz e produtivo para todos.



Referência:


Andrade, E., & Ariely, D. (2009). The enduring impact of transient emotions on decision making Organizational Behavior and Human Decision Processes, 109 (1), 1-8 DOI: 10.1016/j.obhdp.2009.02.003

... Read more »

Andrade, E., & Ariely, D. (2009) The enduring impact of transient emotions on decision making. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 109(1), 1-8. DOI: 10.1016/j.obhdp.2009.02.003  

  • November 14, 2011
  • 02:27 PM
  • 438 views

Intuição Divina!

by Andre Souza in ***Cognando***



Sou super fã de Rubem Alves. Um dos livros de Rubem Alves que mais gosto é um chamado "Perguntaram-me se acredito em Deus". Eu acho essa pergunta fantástica. Primeiro por que é uma pergunta esquisita (quem me conhece sabe que gosto de coisas esquisitas). Segundo, por que todo mundo gosta de fazer essa pergunta para psicólogos (ainda quero descobrir o porquê...). Um dia desses, conversando com uma psicóloga --  só pra sacanear -- perguntei à ela se ela acreditava em Deus. Ela disse que sim. Óbvio que perguntei: porque? E eis que ela respondeu: "ah... sei lá! É intuitivo. Automático."



Hmmmm. De um ponto de vista cognitivo, existem pelo menos dois estilos de processamento mental que utilizamos no processo de tomada de decisões: intuição e reflexão. Intuição geralmente é baseado em processos automáticos e que não requer muito esforço cognitivo. Reflexão, pelo contrário, envolve uma análise crítica da situação e consequentemente um maior esforço cognitivo.



Algumas pessoas são naturalmente mais intuitivas que outras. Eu mesmo tenho uma amiga que diz que toda vez que ela precisa tomar uma decisão importante ela simplesmente "segue a intuição e seja o que Deus quiser". Essa conexão entre processamento intuitivo e crença em Deus é bem interessante. E não é algo novo. Várias pesquisas em psicologia cognitiva afirmam que a crença em Deus é um produto natural da nossa cognição e que, consequentemente, ocorre de maneira intuitiva. Uma pergunta óbvia que segue esse tipo de afirmação é: será então que pessoas naturalmente intuitivas tendem a acreditar mais em Deus?



Uma pesquisa recente publicada no Journal of Experimental Psychology buscou responder exatamente essa pergunta. Amitai Shenav, David Rand e Joshua Greene, todos pesquisadores da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, mediram o "estilo cognitivo" de várias pessoas, utilizando uma tarefa conhecida como CRT (Cognitive Reflection Test). Nessa tarefa, os participantes precisam responder à várias perguntas que têm respostas que parecem "intuitivamante" corretas, mas que "reflexivamente" são incorretas. Por exemplo: "uma meia e uma chuteira de futebol custam um total de R$ 1,10. A chuteira custa R$ 1,00 a mais que a meia. Quanto custa a meia?" Apesar da resposta mais intuitiva ser "a meia custa R$ 0,10", a resposta correta é "a meia custa "R$ 0,05". Os participantes que escolhem a resposta mais intuitiva são considerados pesssoas que têm uma tendência maior à esse estilo cognitivo. Além do CRT, os participantes da pesquisa também responderam a um questionário sobre a crença em Deus, e outras informações demográficas, tais como nível de escolaridade, partido político, renda mensal, etc.



Os pesquisadores encontraram que o estilo cognitivo (intuitivo ou reflexivo) prediz significativamente a crença em Deus -- independentemente das outras variáveis demográficas. Em outras palavras, as pessoas mais intuitivas tem uma tendência maior a acreditarem em Deus. Como ainda existe muita gente que acredita na idéia de que apenas pessoas "pouco" inteligentes acreditam em Deus, os pesquisadores, em um outro estudo, mediram o nível de inteligência dos participantes (além do estilo cognitivo) e não encontraram nenhuma relação entre inteligência e crença em Deus, ou seja, a crença em Deus não está ligada à inteligência, e sim, ao estilo cognitivo: inteligente ou não, se você é uma pessoa intuitiva, as chances de que você acredite em Deus são maiores.



O resultado dessa pesquisa está diretamente relacionado com várias outras pesquisas que mostram que a "falta de controle cognitivo" é um dos motivos que levam as pessoas a acreditarem em Deus, ou em qualquer outra entidade sobrenatural que controla os acontecimentos do nosso dia-a-dia. Quando tomamos uma decisão com base na nossa intuição e o resultado dessa decisão é positivo, temos uma tendência muito maior a atribuir o resultado à alguma força além do nosso controle. Por outro lado, se refletimos cuidadosamente para decidir alguma coisa e o resultado é positivo, a tendência natural é de atribuir o sucesso da decisão ao processo análitico e não ao acaso, ou à alguma força sobrenatural. O mais interessante é ver mais um indício de que nossa cognição está intimamente relacionada com as crenças que formamos ao longo da nossa experiência! :)



Não deixem de seguir o Cognando no Twitter, no Facebook e também no Google+



Referência:


Shenhav, A., Rand, D., & Greene, J. (2011). Divine intuition: Cognitive style influences belief in God. Journal of Experimental Psychology: General DOI: 10.1037/a0025391

... Read more »

Shenhav, A., Rand, D., & Greene, J. (2011) Divine intuition: Cognitive style influences belief in God. Journal of Experimental Psychology: General. DOI: 10.1037/a0025391  

  • October 23, 2011
  • 05:14 PM
  • 487 views

Se beber, não decida!

by Andre Souza in ***Cognando***




Sabe aquele sábado a noite que você não está com vontade de ficar em casa, mas não tem programa algum? E então acaba indo à festa do amigo do primo do vizinho?! Então. Ontem foi um desses sábados para mim. Para ser bem honesto, eu adoro esse tipo de festa. Elas são ótimas para fazer novas amizades, uma vez que geralmente eu não conheço 95% das pessoas que estão na festa. E obviamente, adoro observar o comportamento alheio (yes, creepy, I know... oh well). Essas festas são ótimas pra isso! :-)



Como eu moro em uma cidade universitária, a probabilidade de qualquer festa envolver estudantes de graduação e bebida alcoólica é super alta. E com duas horas de festa, a probabilidade de se encontrar um estudante de graduação bêbado é quase 90%. Infelizmente (felizmente para algumas pessoas), tomamos péssimas decisões quando estamos bêbados. Falamos coisas que não queremos falar, fazemos coisas que não queremos fazer e criamos situações que não queremos criar. Existem várias pesquisas mostrando que tomada de decisão com estado alterado de consciência (bêbado, por exemplo) quase sempre envolve uma recompensa imediata (i.e., você fica com o cara ou com a menina que você quer), mas a longo prazo, envolve consequências ruins (i.e., envolvimento emocional desnecessário e indesejável, baixa auto-estima, etc).



Mas por que tomamos decisões ruins quando bebemos? Uma pesquisa recente, desenvolvida por Patrick Quinn e Kim Fromme, ambos do departamento de Psicologia da Universidade do Texas mostrou que existe uma correlação muito alta entre a capacidade que temos de auto-regulação -- capacidade de controlar nossos impulsos, emoções e desejos -- e comportamento alcoólico de risco. A correlação é obviamente negativa: quanto maior sua capacidade de auto-regulação menor é a chance de você se envolver em comportamentos alcoólicos de risco. No entanto, várias outras pesquisas mostram que mesmo as pessoas que têm um alto poder de auto-regulação, quando bebem, apresentam uma queda nessa habilidade e acabam tomando decisões impulsivas e que buscam uma recompensa imediata.



Em geral, quase 70% dos estudantes de graduação nos grandes centros universitários tem uma vida sexual ativa. A grande maioria desses estudantes se engajam frequentemente em sexo casual, com parceiros que encontraram apenas uma vez e que não pretendem manter nenhum vínculo emocional a longo prazo. Qual o problema disso? Bom, além do problema óbvio do risco de contração de doenças sexualmente transmissíveis, há um risco, menos óbvio, quem tem a ver com o bem estar psicológico do indivíduo. Várias pesquisas mostram que uma vida sexual saudável traz grandes benefícios psicológicos a longo prazo.



Uma pesquisa recente desenvolvida por  Matthew Gailliot e Roy Baumeister, ambos da Universidade Estadual da Flórida, mostrou que quando a nossa capacidade de auto-regulação é "atrapalhada"(via bebida alcoólica ou qualquer outro mecanismo) temos uma tendência maior em manter relações sexuais sem restrições (i.e., não escolhemos bem os parceiros, engajamos em sexo sem proteção e temos muitos parceiros sexuais em um espaço curto de tempo). Uma vez que baixa auto-regulação tem um foco em recompensas imediatas, não vemos as consequências que esse tipo de comportamento traz a longo prazo. Por exemplo, algumas pesquisas têm mostrado resultados robustos relacionando condutas sexuais atípicas e vários outros problemas, tipo: uso excessivo de drogas, transtornos alimentares, depressão ou baixa-estima excessiva. Não há, obviamente, uma relação de causa-e-efeito, mas é importante saber que essas coisas estão intimamente relacionadas.



No final das contas,  é importante também conhecer um pouco mais das consequências psicológicas que uma vida sexual "desregrada" pode ocasionar. Apesar da clara recompensa imediata que ela traz (ninguém está negando que fazer sexo seja bom e prazeroso), uma vida sexual ativa e saudável envolve muito mais que simplesmente "sentir tesão". Pode ser uma boa idéia conhecer outros aspectos da vida dos nossos parceiros sexuais, mesmo que sejam apenas "fuck buddies". Sempre há algo de interessante para se descobrir -- algo além do que se descobre na cama! :-)



A dica que fica é: evite tomar decisões quando estiver bêbado! Em outras palavras, se beber, não decida!



Siga o ***Cognando*** no Twitter, Facebook e no Google+



Referência:


Gailliot, M., & Baumeister, R. (2007). Self-Regulation and Sexual Restraint: Dispositionally and Temporarily Poor Self-Regulatory Abilities Contribute to Failures at Restraining Sexual Behavior Personality and Social Psychology Bulletin, 33 (2), 173-186 DOI: 10.1177/0146167206293472

... Read more »

  • October 22, 2011
  • 02:53 AM
  • 544 views

O gene feliz! :-)

by Andre Souza in ***Cognando***



Aristóteles disse certa vez que a "felicidade é o propósito mais importante na vida de um ser humano". Não é à toa que a maioria das pessoas vivem em busca da tal "fórmula da felicidade". E para falar a verdade, essa é uma busca que vale a pena. Várias pesquisas ao longos dos anos têm mostrado os benefícios -- físicos e psicológicos -- de "ser feliz". Por exemplo, algumas pesquisas mostram que pessoas felizes são mais saudáveis, mais produtivas e têm salários maiores.

Apesar de já estar bem claro que são vários os fatores que influenciam o nível de felicidade de uma pessoa, a idéia de que existe um componente genético que contribui para a nossa felicidade -- e para a caracterização de vários outros traços da nossa personalidade -- está cada vez mais predominante. Pesquisas com gêmeos idênticos, por exemplo, mostram que quase 33% da variação no nível de felicidade das pessoas pode ser explicada por fatores genéticos.

Apesar desses resultados, a pergunta que ainda continua sem resposta é: qual seria o gene responsável por essa variação no nosso nível de felicidade? Jan-Emmanuel De Neve -- pesquisador do Departamento de Governo da Escola de Economia e Ciência Política do University College em Londres --  e alguns outros pesquisadores lideraram uma pesquisa recente para tentar responder a essa pergunta. Esses pesquisadores resolveram investigar um gene conhecido como 5-HTT (mais especificamente 5-HTTLPR). Esse gene, localizado no cromossomo 17, é responsável pela codificação da proteína responsável pelo transporte de serotonina no nosso cérebro.

Mas afinal de contas, o que é essa serotonina? Serotonina é um neurotransmissor muito importante na regulação do nosso humor e emoções. As pessoas que me conhecem e que convivem comigo, por exemplo, sabem que eu sou, o que eles chamam aqui nos Estados Unidos de moody: em bom e claro português, eu tenho constantes oscilações de humor. Essas oscilações de humor estão diretamente ligadas ao funcionamento (quantidade e transporte) da serotonina na região límbica do cérebro (a região responsável pelo controle das emoções e do humor). Uma vez que esse neurotransmissor é tão importante na regulação das emoções e humor, os pesquisadores apostaram na idéia de que qualquer gene diretamente relacionado ao funcionamento desses neurotransmissores deveria ser o gene responsável pela oscilação no nosso nível de felicidade.

Se você se lembra das suas aulas de introdução à genética, você deve se lembrar que nós temos duas versões de um mesmo gene (o que chamamos de alelos). E esses alelos podem ser curtos ou longos. Algumas pessoas têm dois alelos longos. Outras dois alelos curtos e outras um de cada. Sem entrar em muitos detalhes sobre polimorfismo funcional, a idéia básica é que algumas pessoas têm o 5-HTT longo e outras têm o 5-HTT curto. A versão longa produz mais transportadores de serotonina e consequentemente são chamados eficientes. A versão curta, em contrapartida, produz menos transportadores e é considerada menos eficiente.

Em um estudo com mais de 2.400 pessoas, Jan-Emmanuel e sua equipe mostraram que existem uma correlação alta e significativa entre o nível de felicidade das pessoas e o tipo de gene que elas possuem. Em outras palavras, eles encontraram que as pessoas que têm a versão mais eficiente do gente 5-HTT são em geral mais felizes e satisfeitas. Essa correlação significativa é um dos primeiros passos na tentativa de estabelecer a natureza da contribuição genética para o nosso nível de felicidade.

É importante ter cuidado ao interpretar os resultados. Geralmente as pessoas (a mídia mais precisamente) tende a interpretar esses resultados como determinísticos, ou seja, o gene 5-HTT curto determina que a pessoa será pouco feliz, ao passo que o gene 5-HTT longo determina que a pessoa será feliz. Essa é uma interpretação errada desses resultados. Os fatores externos tais como empregabilidade, amizades, bom relacionamentos, etc., sempre irão contribuir de maneira significativa para a manutenção de um nível de felicidade satisfatório. Entender a relação entre esses fatores externos e os fatores genéticos é fundamental. E mais fundamental ainda é conseguir criar e manter um ambiente que contribui ainda mais para a sua felicidade.

Siga o Cognando no Twitter, no Facebook ou no Google+

Referência:

De Neve JE (2011). Functional polymorphism (5-HTTLPR) in the serotonin transporter gene is associated with subjective well-being: evidence from a US nationally representative sample. Journal of human genetics, 56 (6), 456-9 PMID: 21562513

... Read more »

  • October 3, 2011
  • 04:28 AM
  • 544 views

Bilingüismo vem de berço!

by Andre Souza in ***Cognando***



Em 2003, ainda quando eu era aluno de graduação, eu ajudei uma amiga minha, Débora H. Souza -- hoje professora no Departamento de Psicologia da Federal de São Carlos -- a coletar os dados para a pesquisa de doutoramento dela. Foi uma pesquisa bem interessante. Sem entrar em muitos detalhes (posso falar da pesquisa dela em uma outra postagem), basicamente, ela estava interessada na aquisição dos conceitos (estados mentais) descritos pelos verbos ingleses think e know. Em português, o verbo think pode ser traduzido por dois verbos: "pensar" (I'm thinking right now) ou "achar/não ter certeza" (I think I'll come back later).  O mesmo ocorre com o verbo know: pode ser traduzido como "conhecer" (I know that guy) ou "saber/ter certeza" (I know what's inside the box). Em termos bem gerais, a Débora estava interessada em saber como se dá a aquisição desses termos em crianças brasileiras e americanas.



Semana passada, durante uma "faxina" no nosso laboratório, eu encontrei, além de uma caixa de disquetes de instalação do SPSS (old stuff), um CD com os vídeos utilizados pela Débora para a coleta dos dados dela. Nos vídeos, dois garotos interagiam em uma conversa onde eles utilizavam pseudo-verbos (verbos que não existem) para descrever os estados mentais saber, conhecer, achar e pensar. Como a Débora coletou dados no Brasil e nos Estados Unidos, essas crianças tinham que interagir tanto em inglês quanto em português. Para esses garotos, isso não foi problema: eles falavam português e inglês perfeitamente. Eles eram bilingües. Mais especificamente, eles eram o que chamamos de bilingües simultâneos (aqueles que aprendem as duas línguas ao mesmo tempo).



Eu acho isso simplesmente fascinante. Acho fantástico a maneira como crianças expostas a mais de uma língua (duas, três, até quatro) conseguem aprender todas as línguas de maneira sistemática, sem esforço e se tornam competentes -- falantes nativos -- em todas línguas. Mas afinal de contas, onde isso começa? Existem muitas pesquisas mostrando que a preferência pela língua materna começa bem cedo, antes mesmo de nascermos. Isso mesmo. Várias pesquisas mostram que, com apenas algumas horas de vida, as bebês preferem escutar sons da língua materna do que sons de línguas estrangeiras. Mas será o que acontece quando existem duas ou mais línguas maternas? Será que bebês demonstram uma preferência específica?



Essa foi a pergunta que um grupo de pesquisadores do Canadá e da França tentaram responder. Krista Byers-Heinlein (Concordia University, Québec), Tracey Burns (Organization for Economic Development, França) e Janet Werker (University of British Columbia, BC) investigaram a língua de preferência de um grupo de bebês recém-nascidos (com no máximo 5 dias de vida) filhos de mães monolingües e bilingues (Inglês-Tagalog/Filipino). Mas afinal, como se mede preferência de bebês? Uma técnica bastante utilizada é a chamada "técnica de sucção". Os pesquisadores dão ao bebê uma chupeta especial que grava a pressão e a frequência com que o bebê "suga" a chupeta. Quanto maior a pressão e a frequência da sucção, maior o interesse do bebê no estímulo sendo apresentado (no caso dessa pesquisa, as línguas Inglês e Tagalog).



Os pesquisadores encontraram que os bebês filhos de mães monolingües mostraram uma preferência maior para o Inglês do que para o Tagalog. No entanto, os bebês filhos de mães bilingües não mostraram preferência maior por nenhuma das duas línguas, ou seja, as duas línguas tinham o mesmo grau de preferência. Eles ainda testaram a capacidade dos bebês de diferenciarem as duas línguas e encontraram que tanto os bebês bilingües quanto os bebês monlingües foram capazes de diferenciar entre as duas línguas. Esse resultado demonstra que apesar de não mostrarem nenhuma preferência, as crianças bilingües "sabiam" que se tratava de duas línguas diferentes.



Apesar de ser ainda um dos primeiros estudos sobre percepção lingüística de bebês bilingües, os resultados mostram que a experiência linguística pré-natal de alguma maneira já influência suas preferências. Ou seja, cuidado com o que fala com o seu bebê, ainda que ele esteja na sua barriga! :-)



Siga o Cognando no Facebook, Twitter e agora também no Google +



Referência:


Byers-Heinlein, K., Burns, T., & Werker, J. (2010). The Roots of Bilingualism in Newborns Psychological Science, 21 (3), 343-348 DOI: 10.1177/0956797609360758

... Read more »

Byers-Heinlein, K., Burns, T., & Werker, J. (2010) The Roots of Bilingualism in Newborns. Psychological Science, 21(3), 343-348. DOI: 10.1177/0956797609360758  

  • August 28, 2011
  • 10:05 PM
  • 485 views

Já leu seu horóscopo hoje?

by Andre Souza in ***Cognando***



Certos amigos incomodam quando ficam muito tempo distantes da gente. Eu tenho uma amiga assim. Toda vez que ela fica mais de uma ou duas semanas sem falar comigo (geralmente via Skype), eu encho a paciência dela. Faço a maior pressão psicológica. Escrevo dizendo que ela não gosta mais de mim, que ela dá mais atenção aos outros amigos dela, que ela nunca tem tempo pra mim, e que nem se eu morresse ela sentiria minha falta. Dramático, não? Pois é. Ela também acha. Ela diz que eu sou muito dramático. Na verdade, para ser mais exato, ela diz que pessoas do signo de Peixes, em geral, são muito dramáticas. Pessoas de Peixes são dramáticas, depressivas, pegajosas e têm a síndrome da tempestade em copo d'água: todo problema é do tamanho do mundo.

Ainda nesse clima de zodíaco, recentemente, uma outra amiga postou o seguinte texto no mural do Facebook dela:

NUNCA acreditar em três pessoas: Sagitário, Áries e Peixes: Eles são egoístas e mesquinhos.
NUNCA perder três pessoas: Touro, Câncer e Capricórnio: São os amantes mais sinceros e verdadeiros.
NUNCA deixe três pessoas: Virgem, Libra e Escorpião: Eles podem manter segredos, amizade e eles podem ver suas lágrimas.
NUNCA rejeite três pessoas: Leão, Gêmeos e Aquário: Eles são verdadeiros e amigos honestos.

A coisa deu a maior polêmica. Pessoas do signo de Peixes, Áries e Sagitário se manifestaram. Outras não gostaram da manifestação e, como diz minha mãe: "foi o maior fuzuê" no Facebook. Eu achei super engraçado!

Dramas e fuzuês à parte, eu acho simplesmente fascinante o impacto que as crenças e os estereótipos disseminados pela astrologia ocidental (e oriental em certa medida) tem no dia-a-dia das pessoas. Utilizamos o horóscopo para entender certos comportamentos das pessoas (egoístas, mesquinhos, verdadeiros, etc.), para saber quem é a nossa cara-metade (Sagitário combina com Escorpião), para saber como será nosso dia, nosso ano, etc. A maioria dos jornais de grande circulação traz uma seção especialmente dedicada ao horóscopo. Mas é óbvio que meu fascínio vai muito além do impacto que isso causa nas pessoas. Eu gosto mesmo é de entender por que acreditamos nessas coisas. Por que cargas d'água acreditamos que a posição dos planetas no dia em que a gente nasce influencia nossa personalidade?

Já comentei aqui, em várias postagens do Cognando, que o nosso sistema cognitivo se perturba com qualquer tipo de falta de controle. Por exemplo, quando uma pessoa que você acha que conhece bem age de uma maneira inesperada, o seu sistema cognitivo começa a buscar as "causas" para entender essa ação inesperada. A sensação de não entender o porquê da atitude da pessoa é entendida pelo nosso sistema cognitivo como falta de controle. Outros exemplos de falta de controle cognitivo são: (1) quando não sabemos como vai ser nosso futuro, ou (2) quando não entendemos como lidar com a nossa situação presente para obter resultados desejáveis no futuro. Uma vez que nosso sistema cognitivo se "perturba" com a falta de controle, ela utiliza algumas estratégias que têm como principal função restabelecer o controle (ou pelo menos a sensação de controle).

Dentre as estratégias que o sistema cognitivo utiliza está a crença no sobrenatural ou em agentes sobrenaturais que controlam nossas atitudes e ações. Várias pesquisas têm mostrado que a religião, por exemplo, serve muito bem essa função (veja a postagem do dia 24/02/2011). Outro mecanismo que serve essa função é a crença nas previsões e características ditadas pelo horóscopo. Jennifer Whitson da Universidade do Texas em Austin, Cynthia Wang da Universidade Nacional de Singapura e Tanya Menon da Universidade de Chicago apresentaram uma pesquisa muito interessante no Conferência Anual da Associação Internacional de Administração de Conflitos realizada em Boston em junho de 2010. Elas estavam interessadas em saber se falta de controle cognitivo faz com que as pessoas acreditem mais nas características dos signos delas contidas no horóscopo.

Para testar isso, metade dos participantes da pesquisa foram induzidos a ter falta de controle cognitivo enquanto a outra metade foi induzida a ter controle cognitivo. Após a indução inicial, os participantes tinham que ler o horóscopo do signo deles e dizer, em uma escala de 1 a 7, o grau de concordância deles com a descrição.

Como era esperado, os resultados mostraram que as pessoas induzidas a ter falta de controle cognitivo concordaram muito mais com a descrição do horóscopo do que as pessoas que foram induzidas a ter controle cognitivo. Semelhante ao resultado das outras pesquisas da mesma natureza, esse resultado sugere que, assim como a religião e a crença em Deus ou em outros seres sobrenaturais que controlam nossas atitudes, o horóscopo é também um mecanismo compensatório poderoso que nos dá uma sensação de controle cognitivo.

No final das contas, por mais absurda que seja a idéia de que os planetas do nosso sistema solar e o universo como um todo controlam a nossa personalidade, essa é uma maneira eficiente que algumas pessoas encontram para compreender a complexidade das atitudes dos seres humanos. A verdade é que algumas outras pessoas são mais tolerantes às incertezas da vida e à falta de controle cognitivo -- algumas culturas até mais que outras. É interessante notar que as pessoas mais tolerantes à falta de controle são geralmente menos supersticiosas, menos religiosas e menos aptas à correlacionar fatos claramente desconexos (por exemplo, atribuir a culpa da morte de alguém à alguma coisa que a pessoa disse antes de morrer).

Sem querer ser dramático (coisa de gente de Peixes), acho que você nem gosta do blog Cognando, pois até hoje não começou seguí-lo no Twitter e no Facebook. :-)

Referência:



Whitson, Jennifer, Wang, Cynthia, & Menon, Tanya (2010). Cross-cultural differences in sense-making after losing control McCombs Research Paper Series... Read more »

Whitson, Jennifer, Wang, Cynthia, & Menon, Tanya. (2010) Cross-cultural differences in sense-making after losing control. McCombs Research Paper Series. info:/

  • July 17, 2011
  • 07:41 AM
  • 633 views

Quer trocar? Veja como a nossa cognição fabrica felicidade.

by Andre Souza in ***Cognando***

Vou começar postagem de hoje com uma pergunta sobre o seu futuro: se você pudesse escolher, qual dos dois futuros abaixo você escolheria para a sua vida?(a) ganhar 3 milhões de reais na mega-sena acumulada.(b) ficar paraplégico em cadeira de rodas para o resto da vida.Tenho certeza que você pensou: "que pergunta é essa? Óbvio que prefiro a alternativa (a). Eu e 100% das pessoas que leêm o Cognando".  Mas você já deve saber que, como psicólogo cognitivo, eu vou te perguntar: Por que? E você vai responder: "duh!!!!!! Simplesmente porque vou ser mais feliz ganhando na loteria do que ficando paraplégico". Sim. Você e 100% dos leitores concordam que pessoas que ganham na loteria são, em média, mais felizes que pessoas que ficam paraplégicas. No entanto, para a nossa surpresa, existem dados mostrando que, um ano após de ganhar na loteria ou ficar paraplégico, as pessoas são igualmente felizes. Isso mesmo: em média, pessoas que ganham na loteria e pessoas que ficam paraplégicas, depois de um certo tempo, apresentam o mesmo grau de felicidade.Esse tipo de "erro" da estimativa da nossa felicidade é um dos fenômenos que eu acho mais intrigante na cognição humana. É um fenômeno conhecido como impact bias, ou seja, temos a tendência de supervalorizar os nossos sentimentos com relação a eventos futuros. Isso acontece com a gente o tempo todo. Vou usar um exemplo muito mais comum no nosso dia-a-dia. Quando você entra para um relacionamento e se apaixona pela outra pessoa, você tende a achar que sua vida vai simplesmente desmoronar quando o relacionamento acabar. E o que na verdade acontece (e acontece sempre) é que após o término do relacionamento, o seu nível de felicidade é geralmente o mesmo de antes (às vezes até maior). E por que isso acontece?Uma resposta que os psicólogos tem para isso é a idéia de que, assim como o nosso corpo tem um sistema imunológico que nos defende e sempre busca manter o nosso bem-estar, o nosso sistema cognitivo tem um sistema imunológico psicológico. Esse sistema nos defende das adversidades psicológicas (perda de amores, de dinheiro, traição, etc.) fazendo com que a gente mantenha um nível de bem-estar constante. É o que chamamos de felicidade sintética (em oposição à felicidade natural). Felicidade sintética é aquela que "fabricamos" quando uma adversidade ocorre.Dan Gilbert, da Universidade de Harvard tem um estudo interessante mostrando esse efeito. O estudo original utiliza pinturas do Monet, mas para deixar a idéia mais clara (e mais interessante) vou  modificar utilizando fotos de pessoas. Imagine que eu mostre à uma garota a foto de seis homens (Jansen Atwood,  Keanu Reeves, Jon Bon Jovi, Wayne Virgo, Patrick Demsey e André Souza) e peça a ela para colocá-las em ordem de preferência. Eis a ordem que ela escolhe:1 - Patrick Demsey2 - Jansen Atwood3 - Wayne Virgo4 - Jon Bon Jovi5 - Keanu Reeves6 - André Souza (eu já sabia!)Após isso, eu falo com ela assim: "olha, na verdade, eu vou te dar uma cópia dessas fotos, mas só tenho as fotos do Wayne Virgo e do Bon Jovi em estoque. Qual você vai querer?" Naturalmente, ela vai escolher a foto do Wayne Virgo, pois na ordem de preferência dela ele veio primeiro. Duas semanas depois, eu chamo essa mesma garota de volta ao laboratório e mostro à ela as mesmas seis fotos. Dessa vez, olhe a ordem que ela escolhe:1 - Patrick Demsey2 - Wayne Virgo3 - Jansen Atwood4 - Keanu Reeves5 - Jon Bon Jovi6 - André SouzaBasicamente o resultado diz: "a foto que eu escolhi é mesmo bem melhor, a que eu não escolhi é na verdade, ruim." A adversidade de não poder ter escolhido uma das primeiras fotos foi compensada. Em outras palavras, o sistema imunológico psicológico "cria" uma preferência pelo que temos e o que não temos mais passa a ser ruim. Esse é um mecanismo comum nos seres humanos: o seu atual namorado (José) é muito melhor que seu ex-namorado (Carlos). E se você voltar para o Carlos, ele vai passar a ser melhor que o José. Para o seu sistema cognitivo, você sempre tem o melhor.Mas o mais interessante não é isso: quando temos a opção de escolher aquilo que vai acontecer, é quando somos mais infelizes (apesar de intuitivamente pensarmos que seja diferente). Eu explico: Imagine que a C&A ofereça aos consumidores a oportunidade de trocar um produto após a compra, caso o consumidor não goste do produto. Já a Renner não oferece essa oportunidade: uma vez que você comprou, não pode mais trocar. Em qual loja você preferiria comprar? A grande maioria das pessoas tende a escolher a C&A. E se eu te perguntar: Comprando em qual das lojas você acha que vai ficar mais feliz com o produto? As pessoas também tendem a pensar que comprando na C&A elas ficarão mais felizes, pois caso não gostem, elas podem simplesmente trocar o produto.O que de fato acontece é que as pessoas ficam significativamente mais insatisfeitas quando há a possibilidade da troca do que quando não há. O próprio Dan Gilbert tem uma série de estudos mostrando isso. Em outras palavras, sem saber, as pessoas preferem uma situação que as deixarão insatisfeitas à uma situação em que não há escolha. Quando não há a possibilidade de troca, o seu sistema imunológico psicológico vai buscar te fazer feliz com o que tem. E esse sistema só age quando não temos outra opção.E por que isso acontece? Bom a explicação é longa e merece uma outra postagem só para ela. Mas para adiantar (e aguçar a curiosidade): esse efeito tem haver com a nossa tendência a explicar e buscar causas para as nossas adversidades. Uma vez que encontramos 'uma causa' para o término do nosso relacionamento, ou uma 'causa' para o emprego que perdemos, o nosso sistema cognitivo nos diz: "tá vendo? não há com que se preocupar", e acabamos ficando mais satisfeitos com a situação que temos (e a achamos melhor que o que tínhamos no passado).É uma característica cognitiva natural e implícita (ocorre mesmo quando não temos consciência). Muitas vezes o problema está nas "causas" que atribuímos às adversidades, às vezes colocando a culpa em causas externas, ou mesmo negligenciando a nossa própria culpa na criação da adversidade. Isso pode criar outros problemas para o nosso sistema cognitivo lidar.Só sei que no final das contas, o André ficou por último. Segundo a Natielle, é coisa de gente de Peixes! :-) Eu acho que é outra coisa!Não deixe de acompanhar o Cognando pelo Twitter e pelo Facebook.Referência:Gilbert, D. (2002). The Future Is Now: Temporal Correction in Affective Forecasting Organizational Behavior and Human Decision Processes, 88 (1), 430-444 DOI: 10.1006/obhd.2001.2982... Read more »

Gilbert, D. (2002) The Future Is Now: Temporal Correction in Affective Forecasting. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 88(1), 430-444. DOI: 10.1006/obhd.2001.2982  

join us!

Do you write about peer-reviewed research in your blog? Use ResearchBlogging.org to make it easy for your readers — and others from around the world — to find your serious posts about academic research.

If you don't have a blog, you can still use our site to learn about fascinating developments in cutting-edge research from around the world.

Register Now

Research Blogging is powered by SMG Technology.

To learn more, visit seedmediagroup.com.