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Um blog sobre as pesquisas em neurociência, abarcando o cérebro e a mente humana,seu funcionamento e suas disfunções, fazendo sempre uma articulação com as implicações sociais e culturais, mostrando o impacto trazem para vida prática os avanços em neurociências, psiquiatria e ciências cognitivas.
Daniel M Barros
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by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Eu adoro uma polêmica. Mas dessa vou ficar de fora: em 2010 o livro Leite Derramado, do Chico Buarque, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano, mas ficou em segundo lugar na categoria romance. A gritaria foi imensa: como é o segundo melhor romance, mas o melhor livro? Teve até gente pedindo para ele devolver o prêmio e essas coisas. Fico de fora. O que sei eu de prêmios literários, a não ser que bem gostaria de merecer um?... Read more »
Kopelman MD. (1987) Two types of confabulation. Journal of neurology, neurosurgery, and psychiatry, 50(11), 1482-7. PMID: 3694207
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Você não precisa ir ao médico para ter uma ideia do que está acontecendo com você, e mesmo quais as possíveis soluções. Nem precisa ir à escola para ter acesso ao conhecimento de qualquer matéria que seja. Claro que, sendo as áreas do saber cheias de jargões, cada qual com um vocabulário próprio que extrapola o idioma, no final das contas uma ajuda para lidar com as informações pode ser bem vinda. E aí é que entra o novo médico, o novo professor, o novo advogado – quem antes tinha que transmitir o conhecimento, que só ele sabia, passa agora a ter o papel de gerenciar as informações a que todos têm acesso.
A disponibilidade praticamente irrestrita do conhecimento, no entanto, embora desejável, tem efeitos colaterais deletérios dependendo de como se lida com ela. A falta de capacidade crítica, de embasamento sólido para opiniões, de saber formular hipóteses, testá-las e não tirar conclusões apressadas, que sempre deu margem à proliferação de muita bobagem, é um fenômeno potencializado como nunca na internet.
Por isso entro numa campanha. Ideológica. Panfletária. Pela volta da coleção “Os cientistas”.... Read more »
Gatti, Bernadete Angelina, & Goldberg, Maria Amélia Azevedo. (1974) A influência dos Kit’s “Os Cientistas” no desenvolvimento do comportamento cientifico em adolescentes. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas), São Paulo, , 13-24. info:/
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Fui convidado para dar uma palestra sobre a influência dos desenhos animados no comportamento das crianças. Adorei o convite, já que agora tenho filho pequeno e em breve me depararei com a pergunta: será que o que as crianças assistem modifica sua forma de agir?... Read more »
Steven J. Kirsh. (2006) Cartoon violence and aggression in youth. Aggression and Violent Behavior, 547-557. DOI: 10.1016/j.avb.2005.10.002
Bandura, Albert;, Ross, Dorothea;, & Ross, Sheila A. (1963) Imitation of film-mediated aggressive models. The Journal of Abnormal and Social Psychology, 66(1). DOI: 10.1037/h0048687
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
É coisa rara eu recomendar novela. A última vez que lembro de ter tratado do tema de forma empolgada foi na época em que Wagner Moura encarnava um executivo conflituosamente apaixonando-se por uma prostituta, interpretada pela Camila Pitanga. Se volto ao assunto é porque tenho visto novamente grandes talentos sendo usados em favor de personagens bem construídos. Já tinha falado de Avenida Brasil, mas gostaria de aprofundar dois aspectos da entrevista que dei para o Caderno 2 que fazem dela uma novela diferente.... Read more »
Brown EC, & Brüne M. (2012) The role of prediction in social neuroscience. Frontiers in human neuroscience, 147. PMID: 22654749
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
É muito interessante perceber que existem diagnósticos da moda e fora de moda. E entre eles, os com charme e os sem charme. Quando dou palestras e explico os critérios para determinar se alguém tem déficit de atenção, todo mundo leva as mãos à cabeça e pensa: “Meu Deus, eu tenho isso”; a mesma coisa acontece com ansiedade e até mesmo depressão. Já quando explico o que é psicopata e o que é histérica, novamente tudo mundo se desespera, mas dessa vez pensando: “Meu Deus, meu chefe é um psicopata” ou “Minha chefe é histérica” – ser deprimido ou desatento vá lá, mas psicopata ou histérico são só os outros.... Read more »
CALSAMIGLIA, H. (2003) Popularization Discourse. Discourse Studies, 5(2), 139-146. DOI: 10.1177/1461445603005002307
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Não vou comentar a entrevista da Xuxa. Não assisti, mas soube que ela disse ter sido abusada e sentido algo muito comum em vítimas de abuso: culpa. A experiência foi uma das causas de ela se tornar a rainha dos baixinhos. Quero aproveitar esse gancho improvável para conversarmos sobre a Comissão da Verdade.
Sim, porque esse sentimento não é exclusivo das vítimas de crimes sexuais. Em suas memórias, Pérsio Arida, torturado na época da ditadura, diz que se sentia envergonhado por isso: “Era um constrangimento por ter passado por uma experiência vexaminosa, como se, de alguma forma, fosse minha a culpa por tudo o que me aconteceu.(…) Minha vergonha era mais próxima àquela do estuprado, a vergonha por não ter sido capaz de se proteger da maldade do mundo.” O episódio mudou o rumo de seus estudos, ele foi para economia e acabou se tornando um dos pais do Plano Real.... Read more »
Cohen, J. (2000) Apology and Organizations: Exploring an Example from Medical Practice. SSRN Electronic Journal. DOI: 10.2139/ssrn.238330
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Sabe todos os seus conceitos sobre como a memória funciona? Com o perdão do trocadilho, esqueça-os. Talvez não todos, mas provavelmente boa parte do que você imagina está errado. Duvida? Então diga se você concorda ou não com as quatro afirmações abaixo:
1) Quando uma pessoa sofre de amnésia, normalmente ela não consegue se lembrar de seu nome ou sua identidade.
2) A palavra de uma testemunha honesta, que tem certeza do que viu, poderia bastar para condenar alguém judicialmente.
3) A memória humana funciona aproximadamente como uma câmera, gravando sons e imagens do que acontece para que possamos posteriormente rever na memória.
4) Uma vez que algo tenha sido gravado na memória, essa lembrança não se modifica mais.... Read more »
Simons DJ, & Chabris CF. (2011) What people believe about how memory works: a representative survey of the U.S. population. PloS one, 6(8). PMID: 21826204
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Sexo, drogas e futebol. Ou música. Dois personagens resgatados nos últimos tempos que tiveram suas vidas marcadas pelo exagero desses elementos estão em cartaz em interpretações que vão marcar a história da dramaturgia nacional. Sem exagero.... Read more »
Bellis, M., Hennell, T., Lushey, C., Hughes, K., Tocque, K., & Ashton, J. (2007) Elvis to Eminem: quantifying the price of fame through early mortality of European and North American rock and pop stars. Journal of Epidemiology , 61(10), 896-901. DOI: 10.1136/jech.2007.059915
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Se você tem estômago fraco, não leia esse post. Eu bem que não queria escrever sobre canibalismo, mas não tenho como fugir.
Para quem ainda não teve o desgosto de ouvir a narrativa do crime bizarro, trata-se de um homem, Jorge Negromonte da Silveira, que fundou uma seita chamada “Cartel” e vive com a esposa Isabel Cristina Torreão Pires da Silveira e a amante de Bruna Cristina Oliveira da Silva, com quem se envolveu quando ela tinha 16 anos, situação aceita pela esposa. Esse trio foi preso por homicídio de várias mulheres (as mortes podem chegar a oito, suspeita-se), cujos corpos foram consumidos como refeições rituais. Segundo Jorge existem duas enti... Read more »
Newman WJ, & Harbit MA. (2010) Folie a deux and the courts. The journal of the American Academy of Psychiatry and the Law, 38(3), 369-75. PMID: 20852223
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Estupra mas paga – equívocos da relativização da violência sexual
“Estupra mas paga”, parece ter sido a decisão do Superior Tribunal de Justiça quando decidiu relativizar a violência de se fazer sexo com meninas de doze anos, desde que elas sejam prostitutas.
Antes de explicar porque discordo da decisão, devo dizer que compreendo o raciocínio que levou a ela. A ministra do STJ, Maria Thereza de Assis Moura, entendeu que não foi “violado, verdadeiramente, o bem jurídico tutelado – a liberdade sexual –, haja vista constar dos autos que as menores já se prostituíam havia algum tempo”... Read more »
Gillmore, M., Archibald, M., Morrison, D., Wilsdon, A., Wells, E., Hoppe, M., Nahom, D., & Murowchick, E. (2002) Teen Sexual Behavior: Applicability of the Theory of Reasoned Action. Journal of Marriage and Family, 64(4), 885-897. DOI: 10.1111/j.1741-3737.2002.00885.x
by Daniel Martins de Barros in Psiquiatria e Sociedade
O custo e o benefício da vingança Vingança. Esse parecer ser o tema da semana. Ao nos aproximarmos do marco de um ano do massacre de Realengo temos notícia do crime em massa em Oakland, nos Estados Unidos. Enquanto isso, na ficção, o desejo por retaliação é a mola mestra da novela Avenida Brasil, que promete trazer a ambiguidade psicológica para a dramaturgia popular.
Os crimes como o de Realengo e de Oakland são classificados como crimes de vingança porque em sua maioria são motivados por uma sensação de injustiça acumulada ao longo do tempo. As vítimas não são escolhidas de forma casual, mas, ao menos na mente do perpetrador, são de alguma forma relacionadas ao sofrimento que ele passou. E é interessante notar que, mesmo não sendo improvisados (ao contrário, são bem planejados durante um bom tempo), tais eventos costumam acabar com a morte do assassino, ou no mínimo com sua prisão – eles praticamente nunca saem ilesos. A revanche, portanto, tem um preço que o perpetrador antevê mas opta por pagar.
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de Quervain, D. (2004) The Neural Basis of Altruistic Punishment. Science, 305(5688), 1254-1258. DOI: 10.1126/science.1100735
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Olha que boa notícia: você ganhou R$ 1.000,00. Não estava esperando esse dinheiro, não é? Então pense como pretende dividi-lo – temos quatro opções: 1) Comprar um presente bonito para uma alguém especial; 2) Investir numa previdência privada; 3) Fazer algo divertido e extravagante; 4) Colocar na conta corrente. Mas antes, pense em você mesmo com 70 anos. Imagine os cabelos brancos, a pele enrugada, as mãos menos firmes. Muda alguma coisa? ... Read more »
Hershfield, H., Goldstein, D., Sharpe, W., Fox, J., Yeykelis, L., Carstensen, L., & Bailenson, J. (2011) Increasing Saving Behavior Through Age-Progressed Renderings of the Future Self. Journal of Marketing Research, 48(SPL). DOI: 10.1509/jmkr.48.SPL.S23
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Se você já tem uma opinião fechada sobre a “lei seca”, que nos proíbe de beber e dirigir, não precisa continuar lendo. As considerações a seguir são feitas para levantar algumas dúvidas que aparentemente não têm passado pela cabeça dos nossos legisladores, mas deveriam ser levadas em conta no projeto de reforma da lei que está em curso. Aliás, como não canso de dizer, deveríamos entrar em campanha permanente por uma Legislação Baseada em Evidências.
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Brick, J., & Erickson, C. (2009) Intoxication Is Not Always Visible: An Unrecognized Prevention Challenge. Alcoholism: Clinical and Experimental Research, 33(9), 1489-1507. DOI: 10.1111/j.1530-0277.2009.00979.x
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Aborto é um tema difícil por si só, pois envolve questões como crenças religiosas, ideologias e tabus sociais. Agora vemos surgir no horizonte uma nova variável que, se entrar nesse caldeirão, nos colocará a caminho do caos. A comissão do Senado para a reforma do Código Penal propõe que o aborto não seja considerado crime se for feito “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade” (Íntegra da proposta). Fora o erro óbvio de atribuir avaliação psicológica a médicos, é a própria essência da proposta que está equivocada.... Read more »
Mullick M, Miller LJ, & Jacobsen T. (2001) Insight into mental illness and child maltreatment risk among mothers with major psychiatric disorders. Psychiatric services (Washington, D.C.), 52(4), 488-92. PMID: 11274495
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Que as escolas de samba se movem perigosamente próximas a uma área de sombras, interagindo com grupos historicamente violentos como as torcidas organizadas, é senso comum. Embora tal fato não seja a causa dos tumultos ocorridos durante a apuração dos desfiles paulistanos, essa vizinhança pode ter potencializado o desdobrar dos acontecimentos.... Read more »
Drury, J., & Stott, C. (2011) Contextualising the crowd in contemporary social science. Contemporary Social Science, 6(3), 275-288. DOI: 10.1080/21582041.2011.625626
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Tocar em frente parece ser um dos grandes segredos de uma vida boa. As alternativas – ficar parado ou olhando para trás – são fatores hoje reconhecidamente associados a depressão, e grande parte dos tratamentos para pacientes deprimidos passam justamente por tentar fazer com as pessoas deixem de remoer pensamentos e “toquem em frente”.... Read more »
Stefan Sütterlin, Muirne C.S. Paap, Stana Babic, Andrea Kübler, & Claus Vögele. (2012) Rumination and age: some things get better. Journal of Aging Research. info:/
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
“Eu não sou elitista, só acho que exitem dois grupos: nós e o resto”, dizia o ímpar professor Juarez Montanaro, figura inesquecível para os que com ele estudaram medicina legal. A piada, como muitas outras, disfarça uma tendência comum a todo ser humano: julgar melhor os que são do “nosso grupo” (qualquer que seja ele) do que os que são de fora. Esse é um viés cognitivo chamado de viés intragrupo, e pode ser considerado um efeito colateral do amor. Isso mesmo, depois de tratarmos das belezas da occitocina e dos vínculos que ela ajuda a criar, vale a pena dar uma olhada num outro lado dessa história.
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De Dreu, C., Greer, L., Van Kleef, G., Shalvi, S., & Handgraaf, M. (2011) Oxytocin promotes human ethnocentrism. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(4), 1262-1266. DOI: 10.1073/pnas.1015316108
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Por que as pessoas têm filhos? E, mais do que isso, por que gostam deles? Como se explica essa sensação única, que é sem paralelo na experiência humana? A fria ciência tem algumas respostas que, em princípio, nada têm a ver com o sublime amor paterno. Mas para mim isso não acaba com a poesia da história. No conto "Os nove bilhões de nomes de Deus", de Arthur Clarke, quando a ciência descobre o verdadeiro nome do supremo criador as estrelas começam a se apagar uma a uma nos céus. Não sei se concordo. Não acho que a ciência retire o brilho das estrelas, como não creio que haver um fundo biológico para o amor aos filhos apague sua transcendência.... Read more »
Gordon, I., Zagoory-Sharon, O., Leckman, J., & Feldman, R. (2010) Oxytocin and the Development of Parenting in Humans. Biological Psychiatry, 68(4), 377-382. DOI: 10.1016/j.biopsych.2010.02.005
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
A hipnose forense está em alta. Não só o romance “O hipnotista” faz sucesso no Brasil e no mundo como no mesmo ano do lançamento do livro no país (2011) foi reinaugurado um laboratório de hipnose no Instituto de Criminalística do Paraná. Acho que é hora de retomar a campanha por uma Legislação Baseada em Evidências.... Read more »
Kebbell MR, & Wagstaff GF. (1998) Hypnotic interviewing: the best way to interview eyewitnesses?. Behavioral sciences , 16(1), 115-29. PMID: 9549881
Erdelyi, M. (2010) The ups and downs of memory. American Psychologist, 65(7), 623-633. DOI: 10.1037/a0020440
by Daniel M Barros in Psiquiatria e Sociedade
Se você usa o tempo que gastaria assistindo Big Brother Brasil para algo mais saudável, como ler jornais ou se manter informado, provavelmente deve ter se deparado, mesmo assim, com o infame BBB nos últimos dias. Uma grande polêmica se armou quando um dos integrantes foi acusado de, aproveitando-se da embriaguez de uma das moças da casa, ter relações sexuais enquanto ela estava inconsciente.... Read more »
Farris, C., Treat, T., Viken, R., & McFall, R. (2008) Sexual coercion and the misperception of sexual intent. Clinical Psychology Review, 28(1), 48-66. DOI: 10.1016/j.cpr.2007.03.002
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