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O SocialMente é um blog voltado para divulgar e discutir sobre algumas áreas da ciência que têm buscado entender e explicar a mente e a ação humana.
André Rabelo
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by André Rabelo in 1
O Brasil é o país do “jeitinho.” Somos famosos mundialmente por “dar um jeitinho para tudo” e pela nossa malandragem. O potencial brasileiro para a improvisação e para a criatividade, características centrais do jeitinho, é ao mesmo tempo algo que podemos sentir orgulho e vergonha, pois ao mesmo tempo que o jeitinho se refere a uma habilidade refinada para a resolução criativa de problemas, também se refere à nossa capacidade engenhosa de agir corruptamente para obter benefícios pessoais de maneira criativa.
Nas sociedades chinesas, é comum se observar um construto cultural semelhante ao jeitinho, o guanxi. O guanxi também é uma estratégia usada cotidianamente para a resolução de problemas, mas se diferencia do jeitinho em diversos aspectos, principalmente porque o jeitinho não envolve relações previamente existentes entre as pessoas ou a ação de qualquer mecanismo de reciprocidade, como é o caso do guanxi.
O jeitinho pode ser entendido como um tipo de ação visando obter benefício próprio ou a resolução de um problema prático, fazendo uso de criatividade, cordialidade, engano e outros processos sociais [1]. Tanto na antropologia quanto na sociologia, o fenômeno do jeitinho brasileiro têm sido muito estudado e enfatizado como um aspecto central da identidade cultural brasileira. O símbolo do malandro, ilustrado pelo personagem de desenho Zé Carioca na imagem acima, captura a essência deste modo flexível, porém muitas vezes prejudicial a terceiros, de navegar socialmente.
Um problema enfrentado nas áreas que tradicionalmente estudam o jeitinho é no seu próprio significado, pois diversas definições costumaram capturar diferentes aspectos do jeitinho sem fazer referência aos outros aspectos. Foi visando compreender de maneira mais sistemática o jeitinho brasileiro que um grupo de pesquisadores, incluindo vários brasileiros, publicou este ano um artigo no Personality and Social Psychology Bulletin [1].... Read more »
Ferreira MC, Fischer R, Porto JB, Pilati R, & Milfont TL. (2012) Unraveling the mystery of Brazilian jeitinho: A cultural exploration of social norms. Personality , 38(3), 331-44. PMID: 22143307
Gino F, & Ariely D. (2012) The dark side of creativity: Original thinkers can be more dishonest. Journal of Personality and Social Psychology, 102(3), 445-59. PMID: 22121888
by André Rabelo in 1
Fonte: NERDWORKING Autor: Felipe Novaes O Ocidente tem se interessado pela meditação desde o tempo dos Beatles, um dos primeiros grupos de astros a se interessar pela prática e trazê-la para cá. Desde então, esse interesse vem sofrendo manutenções que aumentam ainda mais nosso fascínio por ele. Uma renovação nesse interesse foi promovida pelo Dalai [...]... Read more »
Levenson RW, Ekman P, & Ricard M. (2012) Meditation and the startle response: A case study. Emotion (Washington, D.C.), 12(3), 650-8. PMID: 22506498
by André Rabelo in 1
Se você sentir um cheiro forte de fezes logo após entrar em um banheiro público, você provavelmente sentirá nojo. De maneira semelhante, se você ouvir uma história sobre um caso de pedofilia, é provável que você também sinta, em algum nível, nojo. Esta emoção poderia eliciar em você um padrão de expressão facial muito parecido com o que a maioria das pessoas ao redor do mundo exibiria: seu lábio superior levantaria, seu nariz se enrugaria, suas pálpebras levantariam e suas sobrancelhas abaixariam [1] – a famosa “cara de nojinho.” Em sua forma mais aguda, este estado mental de nojo poderia vir acompanhado de náuseas e vômitos.
O nojo é uma emoção primitiva, observada em diversas espécies, que nos motiva a evitar ou se distanciar de um objeto, como um peixe morto apodrecendo. O objeto não precisa estar presente, já que apenas pensar naquele objeto também pode eliciar o nojo. Esta emoção provavelmente foi selecionada em nosso passado evolutivo para evitar a ingestão de substâncias danosas ao organismo [2], pois saber qual alimento você não deveria comer, por exemplo, poderia fazer toda a diferença, já que uma intoxicação poderia ser fatal.
Os processos de evolução biológica e cultural propiciaram as condições básicas para que nosso sistema de avaliação cognitiva passasse a ser usado para avaliar não apenas alimentos e substâncias possivelmente danosas, mas também grupos sociais, pensamentos e ações das pessoas com as quais convivemos. Se você parar para pensar sobre isso, vai perceber que fazemos frequentemente este uso ao julgarmos as outras pessoas. Um pedófilo, por exemplo, é avaliado por muitos como uma pessoa nojenta e repulsiva, assim como um político rico que desvia grandes quantidades de verbas – ambos estariam fazendo não apenas coisas erradas, mas coisas nojentas. Existem inclusive evidências de que sentir o nojo gustativo e o nojo moral eliciam expressões faciais semelhantes de nojo, com a ativação da mesma musculatura na face [2].... Read more »
Rozin, P. (2009) PSYCHOLOGY: From Oral to Moral. Science, 323((5918)), 1179-1180. DOI: 10.1126/science.1170492
Chapman HA, Kim DA, Susskind JM, & Anderson AK. (2009) In bad taste: evidence for the oral origins of moral disgust. Science (New York, N.Y.), 323(5918), 1222-6. PMID: 19251631
Schnall S, Haidt J, Clore GL, & Jordan AH. (2008) Disgust as embodied moral judgment. Personality , 34(8), 1096-109. PMID: 18505801
Inbar Y, Pizarro DA, & Bloom P. (2012) Disgusting smells cause decreased liking of gay men. Emotion (Washington, D.C.), 12(1), 23-7. PMID: 21707161
Pettigrew TF, & Tropp LR. (2006) A meta-analytic test of intergroup contact theory. Journal of personality and social psychology, 90(5), 751-83. PMID: 16737372
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Um antigo problema tem direcionado os holofotes da mídia para a psicologia atualmente: o da replicabilidade. Replicar um estudo significa que outros pesquisadores são capazes de reproduzir o procedimento de um estudo publicado e encontrar resultados semelhantes. A replicação é muito importante na ciência. Ela pode funcionar como um filtro da própria comunidade, pois os colegas de área de um pesquisador podem averiguar se o efeito relatado em um estudo é reproduzível, generalizável ou se é limitado. O problema da replicação na psicologia, e em outras áreas da ciência, não é novo, mas tem chamado a atenção atualmente os esforços de diversos cientistas para priorizá-la.
A inquietação na comunidade foi se agravando na medida em que diversos pesquisadores, como o professor Brian Nosek da Universidade da Virginia (na imagem acima), um importante pesquisador na área de cognição social, não conseguiam obter, em seus próprios laboratórios, os efeitos relatados nos artigos de seus colegas, e como não tinham para onde mandar estes dados, eles eram engavetados [1]. A este problema, têm sido dado o nome de The File Drawer Problem (o problema da gaveta de arquivo). Isto pode representar um considerável problema para uma área da ciência, principalmente se o que você está tentando fazer é uma ciência que produza conhecimentos que possam se embasar em estudos anteriores e aprimorar sucessivamente a compreensão de um fenômeno, ou seja, uma ciência cumulativa. Muitos psicólogos têm promovido cada vez mais iniciativas visando uma auto-correção em relação a diversos problemas da área relacionados à replicabilidade, às políticas editoriais das revistas científicas e aos incentivos de agências de financiamento.... Read more »
Carpenter, S. (2012) Psychology's Bold Initiative. Science, 335(6076), 1558-1561. DOI: 10.1126/science.335.6076.1558
Ioannidis, J. (2005) Why Most Published Research Findings Are False. PLoS Medicine, 2(8). DOI: 10.1371/journal.pmed.0020124
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Reações impulsivas podem ser um problema sério na vida de muitas pessoas. Assim como o Cookie Monster, personagem da vila sésamo, podemos ter poderosas reações impulsivas ao nos depararmos com algo que gostamos muito, como biscoitos, no caso dele. A impulsividade alimentar pode agravar quadros de obesidade e também problemas de pressão alta, colesterol e depressão. Se considerarmos que as nossas mentes podem ser influenciadas de maneira tão automática por pistas no ambiente, como alimentos saborosos na prateleira de uma cozinha, seria muito útil se conseguíssemos desenvolver procedimentos que ajudassem as pessoas a se regularem.
Felizmente, tais procedimentos vêm sendo desenvolvidos em diversas frentes da psicologia nos últimos anos. Na terapia cognitiva, por exemplo, diversas técnicas que fazem uso de princípios da meditação têm apresentado resultados animadores na capacidade de auto-regulação das pessoas. Muitos estudos têm indicado que algumas técnicas de meditação podem ser poderosas ferramentas de intervenção no tratamento de diversos transtornos, como os de ansiedade, abuso de substância e depressão. Uma publicação recente trouxe evidências de que uma breve intervenção de atenção meditativa pode prevenir reações impulsivas, facilitando a auto-regulação no caso da impulsividade alimentar.... Read more »
Papies, E., Barsalou, L., & Custers, R. (2012) Mindful Attention Prevents Mindless Impulses. Social Psychological and Personality Science, 3(3), 291-299. DOI: 10.1177/1948550611419031
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Pela primeira vez em 15 anos, Cathy Hutchinson foi capaz de tomar novamente o seu café matinal por conta própria, embora ela ainda não tenha recuperado o movimento pleno das pernas ou dos braços. O que permitiu este feito foi o uso das tecnologias mais avançadas atualmente de interface entre o cérebro e as máquinas. Cathy usou apenas o seu pensamento para controlar um braço robótico capaz de pegar o copo e levá-lo até a sua boca. O vídeo acima mostra Cathy manuseando o braço e o relato dos cientistas envolvidos no projeto.
Esta foi a primeira demonstração que indivíduos com tetraplegia de longa data podem ser capazes de manusear um braço robótico a partir dos sinais neurais emitidos por uma região específica do seu cérebro, relacionados à sua atividade mental. Esta grande realização foi relatada em um artigo na revista Nature esta semana. No estudo, duas pessoas com tetraplegia de longa data e sem treinamento prévio foram capazes de realizar com sucesso movimentos tridimensionais com um braço robótico.
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Hochberg, L., Bacher, D., Jarosiewicz, B., Masse, N., Simeral, J., Vogel, J., Haddadin, S., Liu, J., Cash, S., van der Smagt, P.... (2012) Reach and grasp by people with tetraplegia using a neurally controlled robotic arm. Nature, 485(7398), 372-375. DOI: 10.1038/nature11076
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Atualmente, muitas pessoas relatam dificuldades para dormir. Casos de insônia tem sido prevalentes entre adultos de muitos países. A baixa qualidade do sono pode ter diversos impactos negativos na qualidade de vida das pessoas, tanto biológicos (prejuízo no funcionamento do sistema imune) quanto psicológicos (depressão, ansiedade).
Comum a muitas destas reclamações são os relatos de cognições que surgem intrusivamente na mente das pessoas enquanto elas tentam dormir e que acabam atrapalhando o sono por muitas vezes induzir a determinados estados afetivos e fisiológicos que nos impedem de “desligar” a nossa mente. Estas “cognições pré-sono” agitadoras, normalmente relacionadas a planos futuros ou preocupações, podem ter um papel importante na manutenção da insônia.... Read more »
Gellis, L. (2012) An investigation of a cognitive refocusing technique to improve sleep. Psychotherapy. DOI: 10.1037/a0025746
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A terapia cognitiva, também conhecida como terapia cognitiva comportamental* (Cognitive-Behavior Therapy, CBT) é um tipo específico de psicoterapia que enfatiza a importância dos processos cognitivos na compreensão e no tratamento de diversos transtornos mentais. A terapia cognitiva é estruturada para ter uma duração curta e se baseia na teoria cognitiva, uma teoria composta por 10 axiomas formais que embasam teoricamente diversos modelos e aplicações na prática clínica [2]. Alguns autores defendem que esta abordagem oferece um arcabouço conceitual sobre o qual diversas abordagens psicoterapêuticas poderiam ser integradas [2].
A teoria cognitiva pode ser entendida como uma “teoria das teorias” que as pessoas possuem sobre a sua realidade [2], ou seja, uma teoria sobre as influências que as construções particulares de significado da realidade têm no comportamento mal-adaptativo de pessoas que apresentam algum transtorno.... Read more »
Grant, P., Huh, G., Perivoliotis, D., Stolar, N., & Beck, A. (2011) Randomized Trial to Evaluate the Efficacy of Cognitive Therapy for Low-Functioning Patients With Schizophrenia. Archives of General Psychiatry, 69(2), 121-127. DOI: 10.1001/archgenpsychiatry.2011.129
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Imagine que você acaba de ajudar uma senhora simpática, mas com dificuldade de andar, a atravessar uma rua. Ao terminar a travessia, ela lhe agradece com um grande sorriso no rosto e você se sente muito bem por ter ajudado ela. Nessa situação, qual teria sido a sua motivação para ajudar esta senhora?
Uma possível resposta a isso é que a sua capacidade de experienciar estados afetivos correspondentes aos estados afetivos de outra pessoa que você está observando (ou imaginando) e à qual você consegue reconhecer que é a fonte do seu estado afetivo atual – a famosa empatia [1]* – te induziu a uma motivação altruísta, ou seja, a um estado motivacional com o objetivo final de aumentar o bem-estar daquela senhora [2].... Read more »
de Vignemont, F., & Singer, T. (2006) The empathic brain: how, when and why?. Trends in Cognitive Sciences, 10(10), 435-441. DOI: 10.1016/j.tics.2006.08.008
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No início deste mês, a revista Science trouxe um trabalho investigando os pré-requisitos cognitivos e sociais básicos para que um organismo seja capaz de acumular cultura. Enquanto uma caraterística distintivamente humana, a capacidade de acumular cultura tem sido estudada e debatida há muitos anos, com muitas questões ainda levantando discordâncias.
Um posicionamento influente na área é que algumas características cognitivas e sociais constituíram os ingredientes básicos para que a capacidade de acumular cultura pudesse se expandir de maneira tão acentuada e “repentina” do ponto de vista evolutivo, como indicam os dados arqueológicos acerca da produção de ferramentas ao longo da história evolutiva humana. Alguns destes pré-requisitos são a capacidade de ensinar, a linguagem, a imitação e a prosocialidade.... Read more »
Dean, L., Kendal, R., Schapiro, S., Thierry, B., & Laland, K. (2012) Identification of the Social and Cognitive Processes Underlying Human Cumulative Culture. Science, 335(6072), 1114-1118. DOI: 10.1126/science.1213969
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Terrence J. Sejnowski é atualmente um dos pesquisadores mais importantes na neurociência computacional, área essa na qual ele foi um dos pioneiros. Na entrevista acima, Sejnowski comenta, entre muitas questões, sobre um editorial na Science [1] que ele publicou no final de 2011 com um colega acerca da grande quantidade de conhecimento sobre o cérebro produzido nas neurociências que ainda não foi acompanhado por um esforço em sintetizar e compreender as relações entre estes conhecimentos. Ele defende que a acumulação de conhecimento é uma etapa importante, mas que já é hora das neurociências repensarem sobre o que esperam encontrar no final deste turbilhão.... Read more »
Brenner, S., & Sejnowski, T. (2011) Understanding the Human Brain. Science, 334(6056), 567-567. DOI: 10.1126/science.1215674
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Para muitos religiosos, a pergunta “O que religião tem a ver com moralidade?” teria uma resposta óbvia: “a religião é a base da moralidade e torna as pessoas moralmente melhores.” Entretanto, para muitos ateus, a resposta seria bem diferente, algo como: “a moralidade independe da religião e torna as pessoas moralmente piores.” Podemos passar horas a fio construindo argumentos contra cada uma destas posições, mas melhor do que isso talvez seja analisar o conhecimento empírico que temos sobre a relação entre ambas. Foi com esse intuito que Paul Bloom, professor na Universidade Yale, publicou recentemente uma revisão discutindo a evolução da religião e da moralidade e como estes dois fenômenos se relacionam [1]. Trago abaixo uma breve discussão dos principais pontos discutidos por Bloom.... Read more »
Bloom, P. (2012) Religion, Morality, Evolution. Annual Review of Psychology, 63(1), 179-199. DOI: 10.1146/annurev-psych-120710-100334
by André Rabelo in 1
Quem nunca brincou de tentar adivinhar o que outra pessoa estava pensando? Será que conseguiremos algum dia pedir para alguém pensar em alguma coisa e então adivinhar, sem que a pessoa fale absolutamente nada? Ao que parece, os primeiros passos para isso acontecer estão sendo dados pelo pessoal do Gallant Lab, na Universidade da Califórnia, Berkeley.... Read more »
Pasley, B., David, S., Mesgarani, N., Flinker, A., Shamma, S., Crone, N., Knight, R., & Chang, E. (2012) Reconstructing Speech from Human Auditory Cortex. PLoS Biology, 10(1). DOI: 10.1371/journal.pbio.1001251
by André Rabelo in 1
Muitos homens costumam perceber, erroneamente, interesse afetivo por parte de mulheres até quando este interesse nem existe. Imagine uma situação “típica”: uma mulher que está em um bar procurando o garçom no meio da multidão da, sem querer, “aquela” olhada no “bonitão” que acabou de chegar, achando que encontrou o garçom… pronto. O camarada já pensa: “sou foda!”
Vários estudos demonstram que homens possuem esta tendência de perceber maior interesse sexual por parte das mulheres do que elas realmente têm por eles. Um estudo publicado recentemente na revista Psychological Science replicou esta tendência e foi um pouco mais além: pessoas como o nosso amigo “foda” dos Avassaladores na imagem acima podem ter sido favorecidos evolutivamente, mas mulheres também podem possuir um viés cognitivo na percepção de interesse sexual, porém no sentido oposto.... Read more »
Perilloux, C., Easton, J., & Buss, D. (2012) The Misperception of Sexual Interest. Psychological Science. DOI: 10.1177/0956797611424162
by André Rabelo in 1
Nas grandes cidades, vivemos nossas vidas em meio a uma multidão de desconhecidos. Cruzamos todos os dias com estranhos que não conhecíamos e que, provavelmente, não vamos conhecer também. Nessa atmosfera, não é de se surpreender que a apatia pelo sofrimento alheio e a distribuição de grosserias tenham se tornado tão comuns e aceitáveis. Podemos até nos surpreender se um completo estranho emergir a partir da multidão nos oferecendo um ato de gentileza, sem pedir nada em troca.
Você não se surpreenderia se, ao chegar no caixa de um restaurante para pagar a sua conta, fosse informado de que uma pessoa gentilmente pagou a sua conta e não quis se identificar? Uma situação como esta pode parecer muito improvável, mas foi exatamente o que aconteceu em um restaurante na Filadélfia, em 2009, nos Estados Unidos [1]. O ato de gentileza inspirou, nas 5 horas seguintes, várias pessoas naquele restaurante a pagar a conta de outras mesas sem se importar com o valor da conta e de maneira anônima. Os trabalhadores do restaurante ficaram emocionados, pois nunca tinham visto algo tão solidário como aquilo acontecer. Como diz na reportagem da NBC10 Philadelphia: ”É uma história de feriado verdadeira que prova como um pequeno gesto de gentileza pode criar um pouco de magia.”... Read more »
Aknin, L., Dunn, E., & Norton, M. (2011) Happiness runs in a circular motion: Evidence for a positive feedback loop between prosocial spending and happiness. Journal of Happiness Studies. DOI: 10.1007/s10902-011-9267-5
Otake, K., Shimai, S., Tanaka-Matsumi, J., Otsui, K., & Fredrickson, B. (2006) Happy People Become Happier through Kindness: A Counting Kindnesses Intervention. Journal of Happiness Studies, 7(3), 361-375. DOI: 10.1007/s10902-005-3650-z
Feingold, A. (1983) Happiness, Unselfishness, and Popularity. The Journal of Psychology, 115(1), 3-5. DOI: 10.1080/00223980.1983.9923590
Lyubomirsky S, King L, & Diener E. (2005) The benefits of frequent positive affect: does happiness lead to success?. Psychological Bulletin, 131(6), 803-55. PMID: 16351326
by André Rabelo in 1
A ciência sempre foi um empreendimento audacioso. Ao olhar para as estrelas que costumam ser visíveis em uma noite escura, não sentimos que estamos rodopiando ao redor de uma enorme “bola” de plasma quente (o sol) a aproximadamente 150 milhões de quilômetros de distância de nós, orbitando esta bola de plasma a uma velocidade de aproximadamente 107.000 quilômetros por hora e também não parece que as outras estrelas que observamos no céu são maiores do que o nosso planeta. Da perspectiva terráquea, estas estrelas parecem apenas pequenos pontinhos brilhantes no céu – não há porque pensar que alguns destes pontinhos são estrelas monumentais. Simplesmente não parece.
Descobrir que elas poderiam ser tão grandes quanto de fato são foi um feito audacioso de astrônomos e físicos que, ao longo de muitos anos, reuniram conhecimentos que nos permitiram entender melhor o universo no qual vivemos. Entretanto, quase nenhuma das grandes conquistas científicas, como as alcançadas pelos astrônomos no último século, foram obtidas de maneira trivial. Muito deste conhecimento custou caro.... Read more »
Murray, L. (2011) The human touch. Nature, 478(7367), 145-145. DOI: 10.1038/nj7367-145a
by André Rabelo in 1
“Pense positivo”, “vai dar tudo certo, você vai ver”, “isso não vai acontecer com a gente, a probablidade é muito pequena”. Estes exemplos são familiares para você? Já ouviu isso de alguém hoje (ou ontem)? É cotidiano observar a capacidade que muitos de nós possuem de ser extremamente otimista, mesmo quando existem evidências claras de que deveriamos estar mais preocupados com o que está por vir.
Seja em relação ao contágio de doenças, ao furto de bens ou à acidentes graves, o ser humano parece tender a ver tais riscos como distantes de si e improváveis. Ser otimista já foi relacionado em alguns estudos com uma série de efeitos psicológicos benéficos, como menor ansiedade e melhor bem-estar. Este excesso de confiança, todavia, pode nos tornar ainda mais vulneráveis do que já somos, exatamente por pensarmos que não corremos certos riscos e não tomarmos ações necessárias de precaução.... Read more »
Sharot, T., Korn, C., & Dolan, R. (2011) How unrealistic optimism is maintained in the face of reality. Nature Neuroscience. DOI: 10.1038/nn.2949
Rubin, Z., & Peplau, A. (1973) Belief in a Just World and Reactions to Another's Lot: A Study of Participants in the National Draft Lottery. Journal of Social Issues, 29(4), 73-93. DOI: 10.1111/j.1540-4560.1973.tb00104.x
by André Rabelo in 1
Eu tive o infortúnio de perder dois familiares recentemente – uma tia não resistiu a um câncer agressivo e uma prima que teve complicações durante uma cirurgia. Minha falta de proximidade e convivência com as mesmas atenuou a terrível sensação de perda que deve atormentar tantas pessoas que tiveram entes queridos tomados de si repentinamente. Entretanto, estes acontecimentos me relembraram que eu também irei morrer um dia. Muitos de nós normalmente se acostumam com esse conhecimento e vivemos nossas vidas como se sempre pudessemos contar com o amanhã, mas mortes de pessoas próximas podem nos lembrar que um dia, certamente, o amanhã não existira mais para nós. A morte ocupa um espaço particular em nossa compreensão do mundo, já que é um dos poucos eventos que podemos prever desde a infância e com grande nível de certeza que ocorrerá conosco, mesmo que outros eventos no nosso futuro ainda sejam obscuros. A pintura que inicia o texto de Gidoret, pintor francês que viveu entre os séculos XVIII e XIX, representa esta sina humana – a de ser obrigado a abandonar as pessoas que aprendeu a amar durante suas vidas nos braços da morte.... Read more »
Burke, B., Martens, A., & Faucher, E. (2010) Two Decades of Terror Management Theory: A Meta-Analysis of Mortality Salience Research. Personality and Social Psychology Review, 14(2), 155-195. DOI: 10.1177/1088868309352321
Greenberg, J., Pyszczynski, T., Solomon, S., Rosenblatt, A., & et al, . (1990) Evidence for terror management theory II: The effects of mortality salience on reactions to those who threaten or bolster the cultural worldview. Journal of Personality and Social Psychology, 58(2), 308-318. DOI: 10.1037/0022-3514.58.2.308
Jonas, E., & Fischer, P. (2006) Terror management and religion: Evidence that intrinsic religiousness mitigates worldview defense following mortality salience. Journal of Personality and Social Psychology, 91(3), 553-567. DOI: 10.1037/0022-3514.91.3.553
Norenzayan, A., Dar-Nimrod, I., Hansen, I., & Proulx, T. (2009) Mortality salience and religion: divergent effects on the defense of cultural worldviews for the religious and the non-religious. European Journal of Social Psychology, 39(1), 101-113. DOI: 10.1002/ejsp.482
Rosenblatt A, Greenberg J, Solomon S, Pyszczynski T, & Lyon D. (1989) Evidence for terror management theory: I. The effects of mortality salience on reactions to those who violate or uphold cultural values. Journal of personality and social psychology, 57(4), 681-90. PMID: 2795438
by André Rabelo in 1
A Ciência Cognitiva da Religião (CCR) baseia-se nas ciências cognitivas e nas abordagens evolucionistas, trazendo a proposta de explicar o pensamento e o comportamento religioso a partir de teorias que gerem hipóteses testáveis. O psicólogo Justin L. Barrett (2011), entusiasta da CCR, explica que “características universais da mente humana, interagindo com seus ambientes social e natural, informam e restringem o pensamento e o comportamento religiosos”. “Adicionalmente”, prossegue Barrett, “a CCR considera de que forma fatores religiosos, culturais e ambientais particulares estendem ou modificam tendências cognitivas naturais”.... Read more »
Barrett, J. (2011) Cognitive Science of Religion: Looking Back, Looking Forward. Journal for the Scientific Study of Religion, 50(2), 229-239. DOI: 10.1111/j.1468-5906.2011.01564.x
by André Rabelo in 1
Quando ouvimos as conclusões impressionantes que os cientistas são capazes de chegar a partir de suas pesquisas, podemos nos perguntar sobre como eles são capazes de descobrir tantas coisas a partir de tão pouco – como estudos aparentemente tão simples nos permitem chegar à conclusões tão precisas. É com grande frequência que o método experimental será apontado como um dos grandes pilares responsáveis pelo sucesso da ciência em compreender o universo. Apesar de não ser nem um método perfeito nem o único disponível para os cientistas, além de não conseguir nos dar todas as respostas e explicações que gostaríamos, sua utilidade e supremacia são de difícil contestação.... Read more »
Carter, T., Ferguson, M., & Hassin, R. (2011) A Single Exposure to the American Flag Shifts Support Toward Republicanism up to 8 Months Later. Psychological Science, 22(8), 1011-1018. DOI: 10.1177/0956797611414726
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